| Artigo: Reinaldo Azevedo O pastor e o pensador
"O pastor escreveu uma encíclica para exaltar
O papa Bento XVI tornou pública, no dia 30 do mês passado, a segunda encíclica de seu pontificado, Spe salvi, expressão resumida da frase de São Paulo aos romanos Spe salvi facti sumus: é na esperança que fomos salvos. Trata-se, inequivocamente, do texto de um pastor, chefe máximo de uma igreja, mas é também a reflexão de um pensador contemporâneo. O pastor entende os motivos que levam o homem, "expulso do paraíso terrestre", a substituir a "fé em Jesus Cristo" pela "fé no progresso". O pensador considera dois momentos em que essa substituição se fez história – a Revolução Francesa (1789) e o socialismo – e aponta o erro fundamental do teórico comunista alemão Karl Marx (1818-1883): "esqueceu o homem e a sua liberdade". O papa não critica o marxismo como uma ameaça presente, mas como a expressão máxima de um risco permanente.a ‘oração, o agir, o sofrer e o Juízo (Final)como lugares da aprendizagem da esperança’. O pensador nos convida a pesar as conseqüências de um mundo sem Deus, aquele no qual tudo é permitido" O pastor escreveu uma encíclica para exaltar a "oração, o agir, o sofrer e o Juízo (Final) como lugares da aprendizagem da esperança". O pensador nos convida a pesar as conseqüências de um mundo sem Deus, aquele no qual tudo é permitido. O pastor – sem dúvida, um bom fundamentalista – vai ao fundamento de sua crença e recupera a importância da "parúsia", que é a segunda vinda do Messias (voltarei a essa palavra). O pensador dialoga com os agnósticos e os ateus e, na prática, os incita a considerar a dimensão religiosa um dado da cultura ao menos – sem deixar de declarar a supremacia da fé, tomada como sinônimo da esperança. Seja por conta da crítica severa ao marxismo, seja por causa da caracterização dualista que faz do progresso – "em mãos erradas (...), tornou-se um progresso terrível no mal" –, não faltará quem veja nas palavras de Bento XVI a expressão de um insofismável reacionarismo. Será? Segundo o papa, a ditadura do proletariado, imaginada por Marx como uma etapa necessária do comunismo futuro, não deu à luz um mundo sadio, "deixando atrás de si uma destruição desoladora". Alguém se atreve a negar? E Bento XVI vai além: "(Marx) esqueceu que o homem permanece sempre homem. (...) Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal. Pensava que, uma vez colocada em ordem a economia, tudo se arranjaria. O seu verdadeiro erro é o materialismo: de fato, o homem não é só o produto de condições econômicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições econômicas favoráveis".
Entenda-se: Bento XVI não está ressuscitando a Guerra Fria, a disputa pela hegemonia mundial entre o capitalismo e o socialismo. Essa batalha já foi vencida pela civilização do óbvio no século passado, e a economia de mercado triunfou como atributo ou da Criação ou do progresso natural da humanidade – cada um escolha a causa que lhe parecer melhor. O que o papa faz é tomar o marxismo como exemplo máximo de uma visão totalizante do ser, em que a ética se subordina apenas à dimensão material da vida. Certamente não é a única corrente de pensamento a fazê-lo, mas se tornou a mais influente e convincente das visões materialistas. Escreve o papa: "Se ao progresso técnico não corresponde um progresso na formação ética do homem, no crescimento do homem interior, então aquele não é um progresso, mas uma ameaça para o homem e para o mundo". Bento XVI critica, assim, a visão de mundo segundo a qual o bem-estar humano é mera decorrência das estruturas, "por mais válidas que sejam". Observa que a "liberdade necessita de uma convicção". Afinal, se as condições materiais do indivíduo garantissem, por si mesmas, a sua felicidade, forçoso seria concluir que estaria abolida toda escolha – e, por conseqüência, a liberdade. Os totalitarismos do século passado e suas manifestações remanescentes neste século jamais se assumiram como tais. Em todos eles, sempre há uma retórica meritória que apela à reforma das estruturas em nome do bem comum. Mas com quais valores se pretendeu e se pretende construir esse novo homem? E o papa recorre ao filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) para responder: "Não há dúvida de que um ‘reino de Deus’ realizado sem Deus – e, por conseguinte, um reino somente de homem – resolve-se, inevitavelmente, no ‘fim perverso’ de todas as coisas (...). Já o vimos e vemo-lo sempre de novo". O "reino de Deus sem Deus" é uma referência também à ciência. Chega a parecer um tanto estranho e talvez vire motivo de pilhéria que o papa, em 2007, aponte um "equívoco" do filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), passados quase 400 anos de sua morte. E ele o faz. Trata-se de um pretexto para contestar que o homem possa ser salvo apenas pelo conhecimento científico, sem o concurso da fé. Nesse momento da encíclica (parágrafo 25), Bento XVI está se preparando para admoestar também os cristãos. Não é segredo que a pesquisa, especialmente no campo da genética, se confronta com limites que são de natureza ética, e a religião, o catolicismo em particular, tem sido a porta-voz do que costuma ser caracterizado na imprensa e no debate público como a expressão de um preconceito, de um "medievalismo". Não quero fugir ao propósito deste texto, que é o de apresentar as linhas gerais de um documento de cinqüenta parágrafos e 18.822 palavras, para abrir uma frente particular de debate. Observo apenas que, para Bento XVI, "a ciência pode contribuir muito para a humanização do mundo e dos povos", mas "também pode destruir o homem e o mundo se não for orientada por forças que estão fora dela".
Cumpre perguntar: o que são essas "forças fora da ciência" que devem orientá-la, assim como devem orientar a política e a vida cotidiana? Bento XVI observa que, para um cristão, "o homem é redimido pelo amor", mas este também não basta, porque a mortalidade evidencia a fragilidade dessa resposta. E o papa exalta, então, o outro amor, o "incondicionado". E convida o leitor ao mesmo fervor de São Paulo: "Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rom 8,38-39). Disse que voltaria à palavra "parúsia", a segunda vinda do Messias, e que Bento XVI fazia uma admoestação também aos cristãos. Esses dois fios soltos do texto se enlaçam agora. O papa reitera que a promessa do retorno de Jesus – "de novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos" – é parte "central" do "grande Credo" da Igreja. E, portanto, cabe a quem crê viver a certeza da justiça de Deus. A evolução da iconografia foi tornando o Juízo Final "ameaçador e lúgubre", mas deve ser a grande fonte de esperança de um cristão. Ocorre que a força salvífica da fé, aponta Bento XVI, tem de ser coletiva. E aqui está a admoestação: "Devemos constatar também que o cristianismo moderno, diante dos sucessos da ciência na progressiva estruturação do mundo, tinha se concentrado em grande parte somente sobre o indivíduo e a sua salvação. Desse modo, restringiu o horizonte da sua esperança e não reconheceu suficientemente sequer a grandeza da sua tarefa". Finalmente, cumpre indagar, juntamente com os ateus – dos quais o marxismo foi e é a expressão mais influente: num mundo onde as injustiças são tão candentes e onde os inocentes padecem as maiores crueldades, é possível falar de um Bom Deus? Esse Deus tem de ser contestado em nome da moral, não é? E o papa responde: "Se, diante do sofrimento deste mundo, o protesto contra Deus é compreensível, a pretensão de a humanidade poder e dever fazer aquilo que nenhum Deus faz nem é capaz de fazer é presunçosa e intrinsecamente não verdadeira. Não é por acaso que dessa premissa tenham resultado as maiores crueldades e violações da justiça". Além ou aquém do Mistério, a fé nesse Deus de que nos fala Bento XVI é também uma garantia dos direitos essenciais do homem. O cristianismo, afinal, é um humanismo. É o que diz o pensador. É o que diz o pastor. |
...* Eu e Minha Casa Serviremos ao Senhor *...
sábado, 17 de novembro de 2012
O pastor e o pensador
Um procurador que, quando está desocupado, decide perseguir… Deus!
13/11/2012
às 6:05Um procurador que, quando está desocupado, decide perseguir… Deus!
Volte e meia, tudo indica, o procurador Jefferson Aparecido Dias, do Ministério Público Federal, fica com síndrome de abstinência dos holofotes e decide, então, inventar uma causa para virar notícia. Aprendeu, com a experiência, que dar uns cascudos em Deus — nada menos — ou na fé de mais de 90% dos brasileiros, que são cristãos, rende-lhe bons dividendos. Eventualmente ele pode juntar o combate à religião a alguma outra causa politicamente correta (já chego lá), e aí tem barulho garantido. E, por óbvio, granjeia o apoio de amplos setores da imprensa, que podem até admirar o lulo-petismo, mas acham que religião é mesmo um atraso… Acham legítima a fé num demiurgo mixuruca, mas não em Deus. Entendo. É uma questão de padrão intelectual.
A mais nova e essencial decisão deste senhor, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, de São Paulo, foi entrar com uma ação civil pública para retirar das notas do real a expressão “Deus seja louvado”. É o mesmo rapaz que de mobilizou para caçar e cassar todos os crucifixos de prédios públicos, lembram-se? Também foi ele que tentou, sem sucesso, levar o pastor Silas Malafaia às barras dos tribunais quando este protestou contra o uso de santos católicos em situações homoeróticas numa parada gay. Referindo-se a ações na Justiça, o pastor afirmou que a Igreja Católica deveria “baixar o porrete” e “entrar de pau” nos organizadores do evento. O contexto deixava claríssimo que se referia a ações na Justiça. O procurador, no entanto, decidiu acusar o religioso de incitamento à violência. Era tal o ridículo da assertiva que a ação foi simplesmente extinta. Eis Jefferson Aparecido Dias! Eu o imagino levando os recortes de jornal para as tias: “Este sou eu…”
Jefferson é um homem destemido. Não tem receio de demonstrar a sua brutal e profunda ignorância. É do tipo que diz bobagens de peito aberto. Depois de gastar dinheiro dos contribuintes com a questão do crucifixo e com a tentativa de ação contra Malafaia, ele agora se volta para as notas do real. E justifica a sua ação com esta boçalidade intelectual:
“A manutenção da expressão ‘Deus seja louvado’ [...] configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro (…). Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxóssi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus”.
“A manutenção da expressão ‘Deus seja louvado’ [...] configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro (…). Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxóssi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus”.
Como se nota, trata-se de uma ignorância cultivada com esmero, com dedicação, com afeto até. Jefferson é do tipo que ama as tolices que diz, o que é demonstrado pelo recurso da enumeração. Trata-se, assim, para ficar no clima destes dias, de uma espécie de continuidade delitiva do argumento.
Vamos ver.
O procurador é o tipo de temperamento que gosta de propor remédios para males que não existem, o que é próprio de certas mentalidades autoritárias. Em que a expressão “Deus seja louvado” impede “a coexistência em condições igualitárias” de todas as religiões? Cadê os confrontos? Onde estão os enfrentamentos? Apontem-me as situações em que as demais religiões, em razão dessa expressão, passaram por um processo de intimidação. Em tempo: Alá é Deus, doutor! Vá estudar!
Não sei que idade tem este senhor, mas sei, com certeza, que ele se formou na era em que o “princípio da igualdade” tem de se sobrepor a qualquer outro, mesmo ao princípio da realidade e da verdade. Ora, “Deus” — sim, o cristão! — tem, para as esmagadora maioria dos brasileiros, uma importância cultural, moral, ética e religiosa que aqueles outros símbolos religiosos não têm. Todos os brasileiros são iguais no direito de expressar a sua fé — e isso está assegurado pelo Inciso VI do Artigo 5º da Constituição, a saber:
“VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”
“VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”
Ocorre, doutor Jefferson, que a mesma Constituição que garante essa liberdade — e que assegura a liberdade de expressão, aquela que o senhor tentou cassar do pastor Malafaia — também tem o seguinte preâmbulo:
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”
Como é que o doutor Jefferson tem o topete de evocar uma Constituição promulgada “sob a proteção de Deus” para banir das notas do real a expressão “Deus seja louvado”, sustentando que ela “impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões”? Doutor Jefferson é macho o bastante (em sentido figurado, claro, como o emprega o povo) para dar início a um movimento para cassar Deus da Constituição? Ou, acovardado, ele se limita a perseguir crucifixos em repartições públicas e a expressão genérica da fé em cédulas de dinheiro?
A Constituição que tem “Deus” em seu preâmbulo persegue ou protege os crentes em Oxóssi?
A Constituição que tem “Deus” em seu preâmbulo persegue ou protege os crentes em Lord Ganesha?
A Constituição que tem “Deus” em seu preâmbulo persegue ou protege os ateus?
A Constituição que tem “Deus” em seu preâmbulo persegue ou protege os crentes em Lord Ganesha?
A Constituição que tem “Deus” em seu preâmbulo persegue ou protege os ateus?
O nome disso é intolerância. Esse mesmo procurador já tentou processar um outro pastor evangélicos que atacou o ateísmo — ainda que o tenha feito em termos impróprios. Já me ocupei de doutor Jefferson neste blog algumas vezesno passado. Quase invariavelmente, ele comparece ao noticiário tratando de questões dessa natureza, o que, fica evidente, caracteriza uma militância. O que me pergunto é se este senhor, ele sim!, por ser eventualmente ateu (e é um direito seu), não tenta usar uma posição de autoridade que conquistou no estado brasileiro para impor a sua convicção.
Maiorias, minorais e respeitoNas democracias, prevalece a vontade da maioria na escolha dos mandatários e, frequentemente, no conteúdo das leis. Elas também se fazem presentes nos costumes e nos valores. Mas o regime só será democrático se os direitos das minorias forem garantidos. Haver na cédula do real a expressão “Deus seja louvado” significa, sim, que este é um país em que a esmagadora maioria acredita em Deus, mas não caracteriza, de modo nenhum, supressão dos direitos daqueles que não acreditam em Deus nenhum, que acreditam em vários deuses ou que simplesmente acham a religião uma perda de tempo. Em sociedade, a afirmação positiva de um valor não implica, necessariamente, a cassação da expressão de quem pensa de modo diferente.
Ora, seria mesmo um despropósito, meu senhor, que houvesse, no Brasil, com a história e com o povo que tem, algo como “Lord Ganescha seja louvado” ou “Oxóssi seja louvado” pela simples e óbvia razão de que essas, quando considerada a sociedade brasileira no seu conjunto, são crenças de exceção, que traduzem escolhas e convicções da minoria do povo. O Brasil é uma nação de maioria cristã, o que o doutor não conseguirá mudar. O que se exige é que essa nação resguarde os direitos de quem quer cultuar outras divindades e deuses ou deus nenhum. E isso está garantido pela Constituição Brasileira, promulgada “sob a proteção de Deus”.
Finalmente, o argumento de que o estado é laico — e, felizmente, é mesmo! — não deve servir de pretexto para que se persigam as religiões. Um estado laico não significa um estado ateu, que estivesse empenhado em combater as religiões. A sua laicidade é afirmativa, não negativa; ela assegura a livre expressão da religiosidade, em vez de reprimir a todos igualmente. Entendeu a diferença, doutor?
Sei que a questão parece menor, quase irrelevante. Mas não é, não! Essa é apenas uma das vezes em que supostos iluministas, falando em nome da razão, tentam impor uma espécie de censura da neutralidade ao conjunto da sociedade. Pretendem que escolhas com viés ideológico sejam apenas as alheias, a de seus adversários. Promovem permanentemente uma espécie de guerra cultural contra os valores da maioria para poder acusá-la de autoritária.
Como sabemos, a cada vez que os ingleses cantam “God save our gracious Queen” e se ouve o eco lá naquele “novo continente” — “And this be our motto: ‘In God is our trust’” —, o que se tem é a voz da ditadura cristã dominando o mundo, não é mesmo?
Deveria haver um limite para o ridículo, mas não há! Parece que o que falta ao procurador é serviço!
Texto publicado originalmente às 5h09
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
O dom da família....
O dom da família
Porque, assim como em um só corpo temos muitas partes,
e todas elas têm funções diferentes, assim também nós,
embora sejamos muitos, somos um só corpo
por estarmos unidos com Cristo.
E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo.
e todas elas têm funções diferentes, assim também nós,
embora sejamos muitos, somos um só corpo
por estarmos unidos com Cristo.
E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo.
Portanto, usemos os nossos diferentes dons de
acordo com a graça que Deus nos deu.
Se o dom que recebemos é o de anunciar a
mensagem de Deus, façamos isso de acordo
com a fé que temos. (Romanos 12: 4-6)
acordo com a graça que Deus nos deu.
Se o dom que recebemos é o de anunciar a
mensagem de Deus, façamos isso de acordo
com a fé que temos. (Romanos 12: 4-6)
Como é gostoso passar o feriado em família!
Sou muito grato a Deus pela oportunidade que
tenho de poder reunir os familiares para um
lmoço e um bate-papo bem descontraído.
Sou muito grato a Deus pela oportunidade que
tenho de poder reunir os familiares para um
lmoço e um bate-papo bem descontraído.
Mas existe um desafio para minha família que precisa ser vencido: As comparações.
Se você tem irmãos, você sabe o que estou dizendo.
Se você tem irmãos, você sabe o que estou dizendo.
Não é muito raro existir comparações em uma rodinha de bate-papo,
exatamente no momento de comunhão. Há muitas maneiras de comparar
uma pessoa à outra e, no meio da diversão, muitas vezes há um membro
da família que sente a necessidade de vocalizar as discrepâncias
percebidas entre os indivíduos.
exatamente no momento de comunhão. Há muitas maneiras de comparar
uma pessoa à outra e, no meio da diversão, muitas vezes há um membro
da família que sente a necessidade de vocalizar as discrepâncias
percebidas entre os indivíduos.
Às vezes, o fato é tão crítico que chegamos a pensar assim:
Deus, o que Senhor estava pensando quando nos jogou no mesmo
pote e chamou de família, pois nos parecemos tão diferentes!?
Deus, o que Senhor estava pensando quando nos jogou no mesmo
pote e chamou de família, pois nos parecemos tão diferentes!?
Além de prejudicar nossa capacidade de amar um ao outro,
as comparações são um desperdício de energia porque são baseadas
em percepções de superfície que podem ser imprecisas.
as comparações são um desperdício de energia porque são baseadas
em percepções de superfície que podem ser imprecisas.
Ultimamente, tenho procurado conduzir as conversas que giram em torno
do jogo de comparações para a maneira de pensar de Paulo quando escreveu aos Romanos.
A Palavra revela o projeto de Deus para a família espiritual,
mas pode ser muito bem aplicada em nossas famílias biológicas.
do jogo de comparações para a maneira de pensar de Paulo quando escreveu aos Romanos.
A Palavra revela o projeto de Deus para a família espiritual,
mas pode ser muito bem aplicada em nossas famílias biológicas.
Embora cada pessoa seja valiosa aos olhos de Deus,
a Palavra ensina que uma pessoa não pode conseguir tudo sozinha,
não importando o quão perfeito ele ou ela possa parecer. Além disso,
cada um de nós tem dons especiais, e dependemos uns dos outros para
preencher as lacunas nas áreas que faltam.
a Palavra ensina que uma pessoa não pode conseguir tudo sozinha,
não importando o quão perfeito ele ou ela possa parecer. Além disso,
cada um de nós tem dons especiais, e dependemos uns dos outros para
preencher as lacunas nas áreas que faltam.
Portanto, seja para melhor ou para pior, cada membro de uma família
pertence a todos os outros.
Quando ponderamos os dons de Deus revelados individualmente aos membros da família,
focamos na ação de gratidão a Deus por essa diversidade, e esquecemos as comparações.
pertence a todos os outros.
Quando ponderamos os dons de Deus revelados individualmente aos membros da família,
focamos na ação de gratidão a Deus por essa diversidade, e esquecemos as comparações.
Pense agora no(s) seu(s) dom(ns) e com o coração grato a Deus veja se você
consegue identificar aqueles que existem em cada membro de sua família.
Fazer parte de uma família é dom de Deus.
consegue identificar aqueles que existem em cada membro de sua família.
Fazer parte de uma família é dom de Deus.
De escravo para filho.....
Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. (João 8:36)
Dogmatismo é a tendência de um indivíduo afirmar ou crer em algo como verdadeiro
e indiscutível, e é um termo muito utilizado
pela religião e pela filosofia.
O dogmatismo ocorre quando uma
pessoa considera uma verdade absoluta e indiscutível.
É quando são ditas verdades que não
foram revisadas ou criticadas,
que a sociedade simplesmente tornou-as absolutas.
É uma atitude dos indivíduos de crerem no
que o povo fala sem ter dúvidas,
o que ocorre desde a antiguidade, onde muitos filósofos,
como Platão e Aristóteles, se recusavam a crer em alguns
fatos estabelecidos e ditos como verdade.
e indiscutível, e é um termo muito utilizado pela religião e pela filosofia.
O dogmatismo ocorre quando uma
pessoa considera uma verdade absoluta e indiscutível.
É quando são ditas verdades que não
foram revisadas ou criticadas,
que a sociedade simplesmente tornou-as absolutas.
É uma atitude dos indivíduos de crerem no
que o povo fala sem ter dúvidas,
o que ocorre desde a antiguidade, onde muitos filósofos,
como Platão e Aristóteles, se recusavam a crer em alguns
fatos estabelecidos e ditos como verdade.
Na época em que Jesus Cristo exercia o seu ministério terreno,
os judeus – seus compatriotas – confiavam nas tradições e nas cerimônias religiosas.
A esperança deles estava depositada na ascendência e na obediência à Lei de Moisés
e à tradição oral dos antigos. Ao longo dos anos, eles tinham enfrentado
a dominação do Egito, da Babilônia, da Pérsia, da Síria e, finalmente,
de Roma. Mas, apesar da dominação política, sentiam-se espiritualmente livres,
porque se consideravam uma nação santa, uma raça eleita por Deus.
os judeus – seus compatriotas – confiavam nas tradições e nas cerimônias religiosas.
A esperança deles estava depositada na ascendência e na obediência à Lei de Moisés
e à tradição oral dos antigos. Ao longo dos anos, eles tinham enfrentado
a dominação do Egito, da Babilônia, da Pérsia, da Síria e, finalmente,
de Roma. Mas, apesar da dominação política, sentiam-se espiritualmente livres,
porque se consideravam uma nação santa, uma raça eleita por Deus.
Jesus discordou deles ao afirmar que eles eram escravos do pecado e
não filhos de Deus e que só por meio dele, Jesus Cristo,
poderiam encontrar a verdadeira liberdade espiritual. Isso os deixou furiosos.
não filhos de Deus e que só por meio dele, Jesus Cristo,
poderiam encontrar a verdadeira liberdade espiritual. Isso os deixou furiosos.
Mas a mensagem de libertação da Bíblia veio quebrar
esse dogma. Essa mensagem refere-se à nossa
liberdade do poder e da penalidade do pecado.
esse dogma. Essa mensagem refere-se à nossa
liberdade do poder e da penalidade do pecado.
Enquanto é menor de idade, por exemplo,
o filho que vai herdar a propriedade do pai
é tratado como escravo, mesmo sendo, de fato,
o dono de tudo. Enquanto é menor,
há pessoas que tomam conta dele e cuidam dos seus
negócios até o tempo marcado pelo pai. Assim também nós, antes de ficarmos adultos
espiritualmente, fomos escravos dos poderes espirituais que dominam o mundo. Mas,
quando chegou o tempo certo, Deus enviou o seu próprio Filho, que veio como filho
de mãe humana e viveu debaixo da lei para libertar os que estavam debaixo da lei,
a fim de que nós pudéssemos nos tornar filhos de Deus.
o filho que vai herdar a propriedade do pai
é tratado como escravo, mesmo sendo, de fato,
o dono de tudo. Enquanto é menor,
há pessoas que tomam conta dele e cuidam dos seus
negócios até o tempo marcado pelo pai. Assim também nós, antes de ficarmos adultos
espiritualmente, fomos escravos dos poderes espirituais que dominam o mundo. Mas,
quando chegou o tempo certo, Deus enviou o seu próprio Filho, que veio como filho
de mãe humana e viveu debaixo da lei para libertar os que estavam debaixo da lei,
a fim de que nós pudéssemos nos tornar filhos de Deus.
E, para mostrar que somos seus filhos, Deus enviou o Espírito do seu
Filho ao nosso coração
, o Espírito que exclama: “Pai, meu Pai.” Assim não somos mais escravos; somos filhos.
E, já que somos filhos, Deus nos dará tudo o que ele tem para dar aos seus filhos,
inclusive a libertação de qualquer dogma, tradição de religiões ou
costumes de antepassados.
Filho ao nosso coração
, o Espírito que exclama: “Pai, meu Pai.” Assim não somos mais escravos; somos filhos.
E, já que somos filhos, Deus nos dará tudo o que ele tem para dar aos seus filhos,
inclusive a libertação de qualquer dogma, tradição de religiões ou
costumes de antepassados.
Portanto, não é pela religiosidade, e nem pelo cumprindo fiel dos costumes
estabelecidos pelas tradições que seremos salvos, mas tão somente
por meio da fé na obra realizada por Jesus Cristo, filho do Deus único e verdadeiro.
estabelecidos pelas tradições que seremos salvos, mas tão somente
por meio da fé na obra realizada por Jesus Cristo, filho do Deus único e verdadeiro.
Então, não perca a oportunidade de mudar agora sua condição de escravo para filho.
Em Cristo, você é liberto também da escravidão dos vícios.
Em Cristo, você é liberto também da escravidão dos vícios.
Obedeçam a Deus e enfrentem o Diabo, que ele fugirá de vocês. (Tiago 4:7)
Fujam!
Obedeçam a Deus e enfrentem o Diabo, que ele fugirá de vocês. (Tiago 4:7)
Certa vez um homem de negócios com excesso de peso decidiu que estava
na hora de perder uns bons quilos. Levava a sério sua dieta, chegando
mesmo a mudar de rota para evitar a doceria favorita.
na hora de perder uns bons quilos. Levava a sério sua dieta, chegando
mesmo a mudar de rota para evitar a doceria favorita.
Numa manhã, entretanto, ele apareceu no trabalho com um bolo gigante de chocolate.
Os colegas de escritório começaram a zombar dele, mas ele permanecia impassível
com seu sorriso. “Este é um bolo especial”, disse: “Acidentalmente,
tive que passar em frente à doceria nesta manhã e ali, na vitrine,
havia grande quantidade de bolos. Senti que não era tão acidental
assim, e orei: ‘Senhor, se é de Tua vontade que eu compre um destes
bolos de chocolate, que haja um lugar para estacionar em frente da porta da doceria’.
Depois de oito voltas na quadra, apareceu o lugar.”
Os colegas de escritório começaram a zombar dele, mas ele permanecia impassível
com seu sorriso. “Este é um bolo especial”, disse: “Acidentalmente,
tive que passar em frente à doceria nesta manhã e ali, na vitrine,
havia grande quantidade de bolos. Senti que não era tão acidental
assim, e orei: ‘Senhor, se é de Tua vontade que eu compre um destes
bolos de chocolate, que haja um lugar para estacionar em frente da porta da doceria’.
Depois de oito voltas na quadra, apareceu o lugar.”
A tentação vem, até porque está escrito: “Estejam alertas e fiquem vigiando
porque o inimigo de vocês, o Diabo, anda por aí como um leão que ruge,
procurando alguém para devorar.” (I Pedro 5:8).
porque o inimigo de vocês, o Diabo, anda por aí como um leão que ruge,
procurando alguém para devorar.” (I Pedro 5:8).
Mas não é só o inimigo das nossas almas que nos tenta.
A maioria das vezes, somos tentados pelas nossas próprias fraquezas.
Não importa se é um pedaço de bolo, ou alguma coisa que não devemos ter,
algo que não devemos fazer, ou um lugar aonde não devemos ir.
A maioria das vezes, somos tentados pelas nossas próprias fraquezas.
Não importa se é um pedaço de bolo, ou alguma coisa que não devemos ter,
algo que não devemos fazer, ou um lugar aonde não devemos ir.
É verdade que não seremos salvos pelas nossas forças e não conseguiremos
vencer o pecado se não for pela graça de Deus, mas é bom fugirmos da tentação,
ou seja, ficarmos longe do lugar onde ela está.
vencer o pecado se não for pela graça de Deus, mas é bom fugirmos da tentação,
ou seja, ficarmos longe do lugar onde ela está.
Fujamos das paixões da mocidade eprocuremos viver uma vida correta,
com fé, amor e paz, junto com os que com um coração puro
pedem a ajuda do Senhor. (II Timóteo 2:22).
Quer dizer, corramos na direção contrária. Se temos problemas
com bebida alcoólica, não passemos em frente ao bar.
Em outras palavras, não fiquemos nadando nem brincando
ao redor da isca, muito menos olhando para ela.
Quão perto podemos nos aproximar do fogo e não nos queimar?
E se sairmos quando sentirmos cheiro de fumaça?
A preocupação deve ser: Como podemos ficar o
mais longe possível do pecado?
E se sairmos quando sentirmos cheiro de fumaça?
A preocupação deve ser: Como podemos ficar o
mais longe possível do pecado?
O diabo pode dizer: “Tire uma folga espiritual neste fim de semana.
Só hoje à noite. Só uma hora. Afinal, é só uma visita à zona proibida.
Você é maduro e sabe que não vai ficar lá.”
Só hoje à noite. Só uma hora. Afinal, é só uma visita à zona proibida.
Você é maduro e sabe que não vai ficar lá.”
Uma vez perguntaram para Mel Gibson por que ele tinha colocado
uma linda mulher com véu para representar o mal no filme A Paixão de Cristo.
Ele respondeu: “O mal toma a forma de beleza, é quase bonito... ele se disfarça
e se mascara,
mas se as antenas de vocês estiverem ligadas, vão identificá-lo.”
uma linda mulher com véu para representar o mal no filme A Paixão de Cristo.
Ele respondeu: “O mal toma a forma de beleza, é quase bonito... ele se disfarça
e se mascara,
mas se as antenas de vocês estiverem ligadas, vão identificá-lo.”
As tentações que temos de enfrentar são as mesmas que os outros enfrentam;
mas Deus cumpre a sua promessa e não deixará que soframos tentações
que não temos forças para suportar. Quando uma tentação vier,
Deus dará forças a nós para suportá-la, e assim poderemos sair dela. (I Coríntios 10:13).
mas Deus cumpre a sua promessa e não deixará que soframos tentações
que não temos forças para suportar. Quando uma tentação vier,
Deus dará forças a nós para suportá-la, e assim poderemos sair dela. (I Coríntios 10:13).
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
História do surgimento dos Ministros Extraordinários em 1967. Matéria publicada no Jornal mensal “O VICENTINO” de Batatais-SP.
História do surgimento dos Ministros
Extraordinários em 1967.
Matéria publicada no Jornal mensal “O VICENTINO” de
Batatais-SP.
“Passei
a noite quase toda atendendo confissão. O senhor sabe que sou doente, agora de
manhã, fui visitar os enfermos, levar a comunhão, já quase meio dia, não tomei
nada, cansado! Será que o Concílio que está de portas abertas para a renovação
da Igreja: será que o Papa, os Bispos, Cardeais, não dariam a permissão para um
leigo distribuir a comunhão? Me ajudar aqui?”
Pergunta o então PÁROCO DE
BAMBUÍ-MG, o Missionário Vicentino Pe. José Nunes Coelho, CM, no final
de 1965, em carta dirigida ao seu Bispo, o também vicentino D. Belchior Joaquim da Silva Neto,
CM, na época o titular da Diocese de Luz-MG, que se encontrava em Roma
participando do Concílio Vaticano II.
Nascia naquele momento a
ideia da instituição do MINISTRO EXTRAORDINÁRIO DA EUCARISTIA, hoje adotada nas
Paróquias do mundo todo e que tanto contribui para o trabalho pastoral do
Padre.
D. Belchior apresenta a
sugestão, foi um espanto! Claro que as barreiras surgiram e ele ainda ouviu de
vários colegas:
“O senhor está louco! O
senhor vai expor o SS. Sacramento à profanação”; “Para o pão consagrado, só
mãos consagradas, senhor Bispo!”; - “Se o Papa permitir isso, daqui a pouco até
mulheres estarão distribuindo a comunhão”; “Pelo amor de Deus, não espalhe
isso, não! É um escândalo, onde já se viu isso! Colocar a hóstia consagrada na
mão de leigos! Na minha Diocese isso não entra.”
Tudo isso D. Belchior ouviu
pacientemente e finalmente em maio de 1966, veio a autorização de Roma, primeiro
a três Irmãos, e em seguida a dez leigos. A partir de 1970 o Papa autorizava
para todo o mundo.
Hoje (1999), D. Belchior é
Bispo Emérito de Luz-MG, e um colaborador especial do jornal “O Vicentino”,
de Batatais-SP. Em sua residência, ele narra à nossa reportagem, e pela
primeira vez em nível nacional, todo o desenrolar do processo.
Ministros da Eucaristia:
uma iniciativa Vicentina
Uma decisão importantíssima
da Igreja Católica tomada no final da década de 1960, e que trouxe resultados
marcantes para o bom desenvolvimento do trabalho paroquial, foi a instituição
do Ministro Extraordinário da Eucaristia. Como é do conhecimento de
todos, há uma carência de Sacerdotes em todo o mundo, principalmente num
país-continente como o nosso, de uma enorme população católica e um número
reduzido de Padres para atendê-la. A Igreja, através do saudoso Papa Paulo VI,
concedeu em 1966, inicialmente no Brasil e depois em 1970 no mundo inteiro, que
fosse criado o Ministro Extraordinário da Eucaristia, autorizando-o a distribuir
a Sagrada Comunhão; fazer o Culto Dominical, na ausência do Padre; expor o SS.
Sacramento; fazer a Encomendação dos defuntos, entre outras.
O mundo todo hoje reconhece
o sucesso dessa iniciativa que veio auxiliar e muito, o Pároco, redimensionando
o seu trabalho. No entanto, poucos sabem que ela surgiu de um brasileiro,
um vicentino na verdadeira acepção do termo, que segundo suas próprias
palavras: “Sou um vicentino que tem orgulho de ter nascido na Conferência
Vicentina.” D. Belchior Joaquim da Silva Neto, CM - Bispo Emérito de
Luz/MG.
Através do casal amigo: Cfr. Geraldo da Silva Dias e Aparecida
Célia Dias, de Sto. Antônio do Monte/MG (ele, Presidente do Conselho Central da
SSVP e nosso representante naquela cidade), chegou ao conhecimento deste jornal
“O VICENTINO”, este fato. Com intuito de bem informar nossos leitores,
fomos constatar com o próprio D. Belchior, hoje nosso Colaborador Especial -,
em sua residência em Luz-MG. Ali carinhosamente recepcionados por ele, o
querido irmão vicentino nos concedeu esta entrevista:
O Vicentino: D. Belchior, como surgiu
a ideia da criação do Ministro Extraordinário da Eucaristia?
D. Belchior: Estávamos em 1965, terminando o
Concílio Ecumênico Vaticano II em Roma. Eu era Bispo novo, tinha meus 42 anos,
e desde o começo frequentei todas as reuniões e como Bispo novo a gente é
sempre acanhado, pensei, não vou entrar no meio desses maiorais, para manifestar
as minhas ideias. Mas, acontece que na última fase do Concílio, mês de setembro
ou outubro, já “preparando as malas para vir embora para o Brasil, chega uma
carta do Pe. José Nunes Coelho, CM, vigário de Bambui-MG, (foto abaixo) meu
colega de seminário. Dizia ele: “Senhor Bispo, passei a noite quase toda
atendendo confissão. O senhor sabe que sou doente, agora de manhã, fui visitar
os enfermos, levar a comunhão, já quase meio-dia, não tomei nada, cansado! Será
que o Concílio que está de portas abertas para a renovação da Igreja; será que
o Papa, os Bispos, Cardeais, não dariam a permissão para um leigo distribuir a
comunhão? Me ajudar aqui?”
Uma carta longa! Eu pensei, pensei... não vou consultar a ninguém,
porque aqui estamos entre duas alas: os Bispos conservadores, como D.
Alexandre, D. Castro Maia, e tantos outros e os Bispos mais atualizados com a
Igreja. Pensei, não vou consultar que vai dar confusão. Vou à Cúria Romana, vou
mostrar a carta e falar com eles. Abram esse caminho para a Igreja! O Padre
sozinho, se matando numa paróquia! Fui à Cúria Romana, Sagrada Congregação dos
Sacramentos; os quatro Monsenhores me receberam, atenciosos, mas quando toquei
neste assunto, eles me disseram: “Senhor Bispo, vai desculpar, o senhor está
entrando num assunto delicadíssimo, expondo o Santíssimo Sacramento à
profanação! Entenda, para hóstias consagradas, só mãos consagradas senhor
Bispo!” Eu disse: mas, essa carta aqui, olhem, o Padre trabalhou tanto tempo!
Eles responderam: “É, mas se permitir isso, o senhor vai expor o Santíssimo
Sacramento à profanação.” E um deles ainda disse assim: “Se o Papa permitir
isso, daqui a pouco até mulheres estarão distribuindo a comunhão!”
Imaginem o que havia naquele tempo! Eu logo vi, tenho que andar
devagar. Disse-lhes: senhores Monsenhores, vão me desculpar, mas o Papa Pio XII
em uma determinada época, permitiu religiosos levar a comunhão aos doentes. De
modos que, quem sabe... Eles retrucaram: “Isso é coisa do Papa, coisa passada,
mas hoje não se permite isso.” Saí dali triste, decepcionado. Mas, um daqueles
Monsenhores, me acompanhou até a portaria, e disse-me: “Senhor Bispo, o senhor
tem facilidade em escrever em latim?” Disse-lhe: sou professor de latim no
Seminário. “Escreva uma carta em latim, conte tudo isso, as dificuldades que os
padres têm na sua Diocese, são poucos, e se matam no Apostolado da Eucaristia.
E quem sabe, o senhor vai diretamente ao Papa, mande uma carta em latim ao
Papa. O secretário do Papa, Monsenhor Samoré (ele não era Cardeal ainda), se
compraz em dizer que entende bem a língua portuguesa, mande uma carta em
português a ele, para ele levar em mãos ao Papa.” Falei, está bom. Agradeci
muito a ele, fui ao Domus Mariae, onde estávamos hospedados, escrevi a
carta em latim, outra em português, e fui diretamente à Secretaria de Estado.
Cheguei lá, o Monsenhor Samoré estava muito gripado, não pode me atender. Mas o
secretário dele, quando lhe contei que levava uma carta em latim e o motivo
desta carta, e que ele poderia levá-la ao Papa, ele me disse: “O senhor
escreveu em português? Ele vai delirar! Porque ele se compraz em dizer que
entende bem o português”. Entreguei lá e vim embora.
O Vicentino: Em que data foi
autorizado o primeiro Ministro?
D. Belchior: Quando foi o ano seguinte, em 1966,
recebi isso aqui - carta com a devida autorização, com data de 7 de maio de
1966 (Veja pág. 8 - “no final desta reportagem”). Primeiro eu pedi para três
religiosos, um irmão da Congregação de São Gabriel, professor Necci que está
aqui ainda; para um outro irmão da Congregação da Divina Providência, Ir.
Eugênio; e o terceiro para um irmão dos Padres Sacramentinos, Frei Pio, Diretor
da Obra da Boa-Imprensa. Foi a primeira resposta que recebi. Depois eu pedi a
licença para os leigos também. Veio a licença para esses três Irmãos, e depois
veio uma carta da Secretaria de Estado: “O Papa pede para fazer a experiência
com dez leigos: homens experimentados, de piedade comprovada, e que mereçam
toda a confiança, que façam um curso, uma preparação, e tenham uma veste especial,
para caracterizá-los, um distintivo especial para mostrar que eles estão
encarregados de uma missão muito importante.” É justamente o que usam os
Ministros hoje.
O Vicentino: D. Belchior, esta
sugestão já tinha sido apresentada ao Chefe Supremo da Igreja antes ou ela é
pioneira em todo o mundo?
D. Belchior: Não, nada consta. Foi uma novidade.
Em 1965, o Concílio estava terminando, eles disseram uma coisa que eu não disse
aqui: “Olha uma coisa dessas, senhor Bispo, deveria ser tratado quando nós
preparamos a Constituição Apostólica sobre o “Sacrosanctum Concilium”. O
senhor deixou passar, agora não há mais tempo para tratar disso, já estamos no
fim do Concílio.”
O Vicentino: E hoje, esta prática é
adotada universalmente?
D. Belchior: Desde 1970, fiquei sabendo que o Papa
permitiu para o mundo todo. Agora quanto às mulheres, os Padres mesmo foram
facilitando. Por quê a discriminação? Mas lá na Sagrada Congregação eles
falaram comigo: “Se o Papa permitir isso, daqui a pouco até mulheres estarão
dando comunhão!” Já pensaram?
O Vicentino: Então, da Diocese de
Luz/MG, saíram os primeiros Ministros da Eucaristia do mundo?
D. Belchior: Sim, podem levar as cópias desses
documentos para publicarem, que vieram de Roma.
O Vicentino: Quais os primeiros leigos
que se tornaram Ministros?
D. Belchior: Quando recebi a resposta autorizando
fazer uma experiência com dez leigos, imediatamente fui a Bambuí falar com o
Pe. José Nunes. Visitamos alguns candidatos de reconhecida idoneidade moral e
piedade comprovada, mas nenhum deles aceitou o convite, talvez por medo de ser
considerados clericais ou eclesiásticos. Nem o Fão, de Bambuí, o Manuel Soares,
de Tapiraí, o José Namitala, de Medeiros. (Na foto ao lado os primeiros
Ministros; hoje, falta escanear a foto).
De volta, eu estava com um Padre novo, meu amigo, e eu lhe disse:
que nome daremos a esses distribuidores da comunhão? O que você acha? Ele
pensou, e disse-me: “Acólitos”. Eu disse: Acólito é um nome difícil de falar,
depois acrescentei: eles são Ministros, e para ministrar. Aí ele disse, “que
tal Ministro da Eucaristia”? Eu lhe disse: É muito pomposo esse nome,
Ministro da Eucaristia é o Padre, então poderemos dizer “Ministro
Extraordinário da Eucaristia”, que é o nome correto.
Escrevi a Roma dizendo que fizera experiência com dez homens de
piedade comprovada, conhecidos na Diocese, a maioria confrades vicentinos, e
estão distribuindo a comunhão aos doentes, ajudando o vigário na Paróquia, e
comungando com as suas próprias mãos. Recebi a resposta imediatamente: “Faça
experiência com mais dez e nos conte como eles estão procedendo.” Fiz
igualzinho em 1967 ou 68, não me lembro bem.
O Vicentino: Qual foi a receptividade
dos Bispos Brasileiros sobre a questão?
D. Belchior: Aqui no Brasil, teve muitos Bispos
que não aceitaram de jeito nenhum, não aprovaram. Teve um, de uma Diocese do
Norte de Minas, que veio aqui estar comigo. “Senhor Bispo, pelo amor de Deus,
não espalhe isso não! É um escândalo, onde já se viu isso! Colocar a hóstia
consagrada nas mãos de leigos! Na minha Diocese isso não entra.” Eu lhe
respondi: “Já está feito, o que vamos fazer agora? É tocar para frente, eu acho
que isso vai fazer muito bem à Igreja.” Ele já morreu. Hoje tem outro Bispo lá,
e recentemente eu estive com ele e ouvi dele: “Foi a maior bênção na nossa
Diocese. Todas as Paróquias já têm Ministros.” Estão vendo? Pelo menos essa
alegria eu levarei para junto de Deus. Encontrei muitas dificuldades no começo,
me chamaram até de louco, “Isso é loucura, senhor Bispo!”
O Vicentino: D. Belchior, o senhor
nunca publicou este fato tão importante para a Igreja?
D. Belchior: Eu só publiquei isso aqui no nosso “Jornal
de Luz”, porque D. João Resende Costa, e D. Serafim, de Belo Horizonte me
disseram: “D. Belchior, o senhor nunca escreveu nada sobre isso?” Disse-lhes:
“Não escrevi e não vou escrever, porque isso fica parecendo vaidade. Porque é
algo que tomou vulto maior do que eu poderia pensar, e eu não vou entrar nessa
não.” D. João Resende Costa, que me sagrou Bispo disse-me: “D. Belchior, em
consciência, o senhor é obrigado a contar como aconteceu isso, sobretudo os
vexames que o senhor passou.”
O Vicentino: O “Jornal de Luz”
publicou em maio/97 com o título “Como nasceram os Ministros da Eucaristia”,
matéria (diga-se de passagem muito bem elaborada) onde o senhor narra todo este
acontecimento. Agora, em nível nacional é a primeira vez que isso é levado ao
conhecimento público?
D. Belchior: Sim, eu só falei antes em 97 ao nosso
jornal aqui da cidade.
Quem é D. Belchior?
Nasceu em Araújos, Minas Gerais, próximo a Bom Despacho,
Centro-Oeste Mineiro, aos 7 de novembro de 1918. Primeiro filho do casal
Belchior Joaquim da Silva Zico (1895-1978) e de Anita Maria da Silva
(1898-1959). Fez o curso primário em Luz, para onde seus pais mudaram-se em
1922. Aos 13 anos de idade, foi estudar no Colégio do Caraça, da Congregação da
Missão (fundada em Paris/França, por São Vicente de Paulo em 1625), onde cursou
o 1° e 2° graus, e posteriormente ingressou no Seminário Maior de
Petrópolis-RJ. Ordenou-se Sacerdote pelas mãos de D. João Cavatti, CM - Bispo
de Caratinga-MG, em 8 de dezembro de 1945 em Petrópolis, tornando-se
Missionário Lazarista Vicentino. Seu primeiro trabalho foi como professor no
Seminário de Diamantina-MG e depois Reitor dos Seminários Menor e Maior,
permanecendo ali sete anos. Por determinação dos Superiores, transferiu-se para
o Seminário S. Vicente de Paulo de Fortaleza-CE, para a Escola Apostólica,
ficando lá três anos, pregando nas capitais da região. No fim de 1955, faleceu
o Superior de Diamantina, Pe. José Pires, e ele veio substituí-lo por um ano.
Retorna a Fortaleza, para assumir o maior Seminário do Nordeste, o Seminário de
Prainha, onde estudaram D. Hélder, D. Eugênio, grandes Bispos Arcebispos e
Cardeais. No dia 24 de abril de 1960, na Matriz de São José do Calafate, em
Belo Horizonte-MG, D. João Resende Costa o sagrou Bispo da Diocese de Luz,
nomeado pelo Papa João XXIII. E onde ficou até completar os 75 anos de idade,
quando, de acordo com o Código do Direito Canônico pediu um substituto. Em 18
de maio de 1994, passou o báculo a Dom Eurico dos Santos Veloso, que dirige a
Diocese.
O Sacerdote de Cristo
Minha vocação é até curiosa: Eu nunca tinha pensado em ser Padre.
Meu pai vendeu a fazenda e montou um estabelecimento comercial em Perdigão. Ele
ficou cego de uma vista e o médico o aconselhara a mudar-se para a cidade. Lá
ficou sabendo que existia um lugar chamado Aterrado (hoje Luz), onde o dinheiro
corre; é o “Império do Café”, como dizia antigamente. Me lembro, viemos a
cavalo, eu tinha quatro anos, Pe. Tobias tinha dois, minha irmãzinha Maria do
Carmo estava ainda nos braços e viemos para cá. Somos oito irmãos: quatro
casados, quatro consagrados a Deus.
Uma Freira, um Padre, um Bispo e um Arcebispo que é o Arcebispo de
Belém do Pará, D. Vicente Joaquim Zico. Os outros irmãos casaram-se muito bem,
graças a Deus, são pais de muitos filhos.
Papai abriu um comércio aqui e se deu maravilhosamente. Do
comércio, ele passou a trabalhar em Banco. Foi gerente do Banco Minas Gerais,
correspondente do Banco da Lavoura, e do Banco Hipotecário. Meu pai saiu-se bem
em tudo o que mexia. Foi convidado para entrar para a política, ele disse:
“Isso eu não entro não”. “Não é política, o senhor vai ser o nosso Prefeito”,
disseram. Primeiro Getúlio Vargas, estava escolhendo os Intendentes Municipais:
papai foi o escolhido. Mais tarde concorreu em eleição com a maior figura
daqui, o Dr. Josafá Macedo e venceu com uma maioria de votos tremenda. Tínhamos
naquela época cerca de 3.500 votos, só não votaram nele 400 eleitores... Eu
sempre fui um menino muito levado, gostava de jogar bola e um dia estava numa
‘pelada’ como se diz, em frente à nossa casa, numa poeira danada, quando entrou
um menino que não era dos nossos, um ex-seminarista, que chegava do Caraça. Ele
dirigiu-se a mim dizendo: “É verdade que você vai estudar no Colégio?”
Respondi: estou com as malas prontas, vou para o Colégio São Geraldo de Pará de
Minas. Aí ele disse-me: “Por que você não vai estudar no Caraça?” Eu falei: “O
que e isso?” “Olha, o Caraça é o maior Colégio de Minas Gerais, agora estão
mudando de Colégio para Seminário, mas vá lá para estudar. Se servir para
Padre, bem, se não servir não tem importância, dali você pode entrar para uma
Faculdade e abraçar qualquer profissão diferente.” E confidenciou-me: “Mas,
para você ser feliz, você tem que dizer que quer ser Padre. Aí você já entra
com um bom cartaz.” Pensei, então vou começar agora. Acabou o jogo. Cheguei em
casa. Minha mãe e minha avó estavam lá. “As suas malas estão prontas, seu pai
vai levá-lo na próxima semana para o Colégio em Pará de Minas.” Falei: mamãe,
eu vou dizer uma coisa: não quero ir para lá não. “Mas, o que é isso? Você já
falou com seu pai. está tudo combinado, o enxoval pronto.” É que agora eu
resolvi: quero ser Padre. Elas riram! “Ser Padre? Você nunca falou isso! Não
tem Padre na nossa família; por quê ser Padre?” A senhora nem queria saber o
Dezico, o rapaz que falou comigo, disse que lá no Caraça é bom demais. Tem muita
laranja, frutas em quantidade. Futebol? Tem dois campos. Nadar? Tem dois
tanques (não se falava piscina); e um rio passa em frente ao Colégio. Agora eu
quero é ser Padre mesmo. Mamãe: “Então é para isso que você quer ser Padre? Não
fale isso a seu pai.”
Meu pai era um Vicentino desses firmes, positivo! Era o pobre e
Deus, Deus e o pobre. Não venha com falcatruas que ele não aceitava. Mamãe
continuou: “Não vai dizer ao seu pai que você vai por causa das laranjas,
futebol; ele não deixa. De mais a mais, o enxoval está pronto.”
Então como faço? Vovó disse-me: “Se seu pai perguntar o motivo,
diz que é por causa de Deus e salvação das almas”. Falei, Nossa Senhora que
trem difícil de falar! Nisso papai entra. “Como é que é, está tudo pronto? se
referia ao almoço. Vovó não resistiu: “Sabe o que o Belchiorzinho está falando?
Está querendo ser Padre!” Ele me perguntou: “Por quê você quer ser Padre?” Eu
disse-lhe: “Papai, a vovó que sabe... Mas eu quero.” Antes de ele morrer, ainda
me disse brincando: “No começo você nem sabia porquê queria ser Padre.”
Veja que coincidência, minha família vicentina, eu não sabia que
São Vicente tinha fundado uma Congregação, e fui ser Padre Missionário desta
Congregação. Depois foram meus irmãos: Pe. Tobias, Luiz, e o mais novo, Vicente,
atual Arcebispo de Belém do Pará. Luiz não continuou, ficou doente, depois
casou-se muito bem, mora em Belo Horizonte.
O fato é que venci os estudos com certa facilidade, graças a Deus.
Nunca repeti ano. Nas vésperas de ser Padre, fiz os votos de castidade, pobreza
e obediência na Congregação. É claro que a gente que é homem, vem logo o ponto
de vista de castidade e, na véspera do subdiaconato me lembro que era uma hora
da madrugada, vi a luz acesa do quarto do reitor. Estava de pijama e fui lá.
Ele me disse: “Que é que houve?” Eu disse: “Não vou continuar, não sirvo para
Padre. Padre tem que fazer votos de castidade, e muito difícil; não sei se dou
conta.” Ele disse-me: “Você veio me avisar que vai embora, ou veio pedir uma
palavra minha, um conselho?” Claro que a sua palavra é importante. O senhor é o
meu diretor; era o Pe. Antônio Mourão. “Então venha aqui no fim do ano (era
mais ou menos outubro ou novembro); no fim do ano você vai dizer a sua palavra
decisiva”. Resumindo, até hoje não voltei. Pensei, se é sacrifício, o maior
sacrifício que eu posso fazer a Deus e entregar a minha vida, e Ele vai tomar
conta de mim. Se Ele me criou à sua imagem e semelhança, se Ele me criou para
uma missão para cumprir, e ela está aqui na minha frente, eu vou me afastar,
vou renegar a este chamado? Agora, não esperava ser Bispo.
SSVP na sua vida
Meu pai desde rapazinho frequentava a Conferência Vicentina de
Perdigão, porque não existia em Araújos. Quando começou a aparecer o povoado,
meu pai juntou-se ao “preto”, um antigo escravo da fazenda, que era carne e
osso com o papai, e disse: “Agora vamos a Araújos.” “Mas lá não tem
Conferência”, disse o escravo. “Então nos vamos fundar uma lá.” É a Conferência
de São Sebastião, até hoje funcionando.
Mudando para o Aterrado, que se tornou a cidade de Luz, meu pai
também fundou Conferências. Participava de tudo e fazia questão de me levar,
ainda menino, para a Conferência. Ele fundou a Conferência de São Luiz para
nós: eu, o Tobias, o Vicente, as meninas; nós íamos com o meu pai. De modos que
nasci na Conferência Vicentina.
Me considero um vicentino, me orgulho de ser Vicentino, tenho a
minha Conferência aqui, que é a Nossa Senhora Aparecida. Com a minha doença não
tenho podido frequentá-la, mas sempre depois da Missa nós nos reuníamos. Sou
membro desta Conferência. Não apenas me considero vicentino, mas tenho uma
admiração louca pelos vicentinos.
O Vicentino: D. Belchior muito obrigado
pela carinhosa acolhida, pela entrevista e pelas suas colaborações que honram e
enriquecem este jornal. Esperamos continuar merecendo-as.
D. Belchior: Eu é que tenho que agradecer muito. Vocês sabem, sou
vicentino de coração, entrei no Ministério de Deus, pela Congregação de São
Vicente de Paulo. Nunca pensava que pelo fato de ser um humilde vicentino, ser
chamado com os meus irmãos, para uma Congregação fundada por São Vicente de
Paulo!
Agradeço muito a vocês, uma visita dessas, é uma visita de um
representante de São Vicente de Paulo. Muito obrigado.
CARTA COLETIVA
(De D. Belchior Joaquim da Silva Neto, CM, aos Padres da Diocese
de Luz em 7 de novembro de 1967)
Caríssimos Padres, L. J. C.
Esta missiva é um apêndice ou anexo necessário ao “BOLETIM DO
CLERO”; sobre o Ministro da Eucaristia em nossa Diocese, concedido,
graciosamente pelo Santo Padre, em vista da promoção do Leigo ao serviço da
Igreja.
O Documento vem datado de 20 do corrente, ou antes de outubro
findo (prot. 1951/66- 15246), autorizando os leigos a exercerem o ministério da
Eucaristia em favor do povo de Deus. Podemos, portanto, assim definir-lhes as
faculdades:
1ª - receberem a S. Comunhão das próprias mãos ou darem-se
pessoalmente a comunhão.
2ª - levarem a S. Comunhão aos enfermos.
3ª - ajudarem a distribuir a S. Comunhão na Igreja, caso esteja o
vigário ocupado ou seja, grande acúmulo de fiéis.
4ª - fazerem o Culto dominical, em ausência do vigário, explicarem
as sagradas leituras, ao alcance dos fiéis, ajudarem a administração dos
Sacramentos.
5ª - Exporem o SS. Sacramento para adorações e Horas Santas.
6ª - proporcionarem a Bênção do SS. Sacramento, com exposição e
reclusão das S. Espécies.
7ª - fazerem e Encomendação dos defuntos com as orações do Ritual.
Atenção: pedimos aos RR. vigários fazerem a apresentação dos
candidatos.
1° - que sejam cristãos exemplares na Paróquia ou nas Capelas onde
vão exercer o ministério da Eucaristia.
2º - que, mesmos casados, não sejam gananciosos ou interesseiros,
visando qualquer lucro, pois será um ofício inteiramente gracioso, sem
remuneração, baseado na caridade, no que esta virtude tem de mais sublime, que
é o ministério Eucarístico.
3º - que não sejam políticos ou militantes ostensivamente em
facções políticas, pois seria trazer odiosidade para serviço tão santo e
grandioso.
4° - que tenham certa cultura, podendo ler os livros santos,
Epístolas, Evangelhos, para uma conveniente explicação aos fiéis, no Culto
Dominical.
Com o exercício do ministério, daremos, depois, outros
esclarecimentos.
Humilde servo em Cristo N.
Senhor
D. Belchior - Bispo Diocesano de Luz
Dom Belchior faleceu em 24 de
maio de 2000
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
. A Igreja Católica não manifesta apoio a nenhum candidato, por ser universal - católica significa universalidade. Porém, a Igreja sempre orienta para um voto consciente.
Filhos e filhas,
No próximo domingo, 07 de outubro, é dia de eleições municipais em todo o país. Somos convidados a eleger quem governará nossa cidade até 2016. A Igreja Católica não manifesta apoio a nenhum candidato, por ser universal - católica significa universalidade. Porém, a Igreja sempre orienta para um voto consciente.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) elaborou uma cartilha de orientação, pois uma sociedade justa deve ser realizada pela política, nas palavras de Bento XVI. E nessa cartilha, eles citaram os dez mandamentos do eleitor, os quais transcrevo aqui.
1.º Mandamento - Não deixe de votar
A sua ausência enfraquece a democracia. Se estiver fora do seu domicílio e não for mesmo possível votar, não esqueça de justificar em qualquer local de votação. Se você perdeu o título, não haverá problema, pois você poderá votar com um documento oficial e original de identidade com fotografia que pode ser a carteira de identidade, carteira de trabalho, passaporte ou até mesmo a reservista. Se não souber o local de votação, basta telefonar ou acessar o site da Justiça Eleitoral para obter esta informação. Se você tiver dificuldades de locomoção, informe o cartório eleitoral para disponibilizar a seção adequada.
2.º Mandamento - Não vote contrariando a sua opinião
Não mude seu voto por influência da mídia ou deixando-se enganar por armadilhas publicitárias das campanhas eleitorais. Nem sempre o candidato mais simpático é o mais competente.
3.º Mandamento - Não venda seu voto nem o troque por favores
Não só a compra de votos é crime eleitoral, pois o eleitor que vende o voto ou apenas solicita algo em troca do voto está sujeito a pena de quatro anos de detenção.
4.º Mandamento - Não vote para contentar amigos ou parentes
O candidato que é bom para os outros eleitores, nem sempre será bom para você, principalmente se os parentes e amigos trabalharem para algum político.
5.º Mandamento - Não vote sem conhecer o programa do candidato e do partido dele
Os candidatos e partidos devem conhecer os problemas da população e ter a capacidade para solucioná-los. Analise se têm condições de cumprir o que prometem.
6.º Mandamento - Não vote sem conhecer o passado do candidato
Com a nova Lei da Ficha " Limpa", a Justiça Eleitoral tem sido mais efetiva em afastar os maus candidatos. No entanto, é prudente que o próprio eleitor busque melhores informações acerca da vida precedente dos políticos. A internet auxilia muito nesta busca.
7.º Mandamento - Não vote sem conhecer o caráter do candidato
Ter bom caráter significa viver com moralidade, o que envolve a honestidade, sinceridade, a integridade, a confiança e o comprometimento. Não eleja ou reeleja candidatos sem caráter.
8.º Mandamento - Não deixe nenhuma pesquisa mudar o seu voto
As pesquisas podem influenciar quando é muito grande a margem entre o primeiro e o segundo colocado, mas muito pouco entre os tecnicamente empatados.
9.º Mandamento - Não anule seu voto
Voto nulo: o eleitor quer votar, tem candidato, mas erra por não saber votar; isso ocorre quando confirma o número de candidato inexistente ou abandona a urna antes de concluir a votação. Ao contrário do que se pensa, a nulidade de mais de 50% dos votos não anula a eleição.
10.º Mandamento - Não vote em branco
Voto em branco: o eleitor sabe votar, mas não quer votar ou não tem candidato. É o famoso voto de protesto. O voto branco não vai para o candidato ou partido mais votado.
Que o Espírito Santo ilumine todos os eleitores que decidirão o futuro de suas cidades.
Que Deus derrame bênçãos e cura em sua vida.
Padre Reginaldo Manzotti
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